SNTN

Sustentabilidade

O território como ponto de partida

“Não existe separação entre o que chamamos de natureza e nós. Somos parte indissociável desse todo.”Ailton Krenak
Vista aérea do dossel contínuo da mata em regeneração da Fazenda Santana
Fazenda Santana — dossel contínuo em regeneração

Antes de propor qualquer ocupação, o masterplan lê o que já existe.

A forma do terreno, a idade das carnaúbas, a direção da água, o vento sul-sudeste, a Lagoa do Salgado, a Lagoa Santana, as restingas, os cajueiros centenários e os 717 hectares de floresta em regeneração orientam todas as decisões. Sustentabilidade, aqui, não é uma camada adicionada ao projeto: é a maneira de organizá-lo.

Preservação

APP, cinturão verde e paisagem costeira

A ocupação é delimitada por uma infraestrutura viva que conecta a fazenda aos ecossistemas costeiros.

Vista aérea das restingas, manguezais e canais de maré entre a Lagoa do Salgado e o mar
Restingas, manguezais e canais de maré

Primeira camada

A Área de Preservação Permanente acompanha as lagoas e os cursos d’água, protegendo margens, vegetação e o movimento natural da água.

Segunda camada

Uma faixa adicional de 100 metros de vegetação nativa forma o cinturão verde: barreira de vento, sombra, abrigo para fauna e continuidade dos corredores ecológicos.

Restingas e manguezais funcionam como berçário da fauna marinha, filtro natural da água, fixadores de sedimentos e proteção da linha de costa. Por isso são tratados como infraestrutura, não como cenário.

Lagoa do Salgado vista a partir da vegetação da fazenda
Lagoa do Salgado
Terreno da Fazenda Santana em direção à lagoa
Vegetação e água formam um único sistema

Caminho das águas

Reter, infiltrar e devolver

As áreas mais planas e úmidas são movimentadas o mínimo possível. No centro da fazenda, uma formação conhecida como sela recebe água de dois pontos mais altos e favorece sua permanência no terreno.

Vegetação de papiro em bacia de tratamento e infiltração
Wetland e bacia vegetada integradas à paisagem

Swales e bacias de infiltração são posicionadas em sequência para desacelerar o escoamento e devolver a água ao lençol antes que ela chegue à restinga. A cisterna e o poço completam o abastecimento doméstico.

Captação junto à casa e à estrada

Swales desaceleram o escoamento

Bacias vegetadas favorecem a infiltração

A água retorna tratada ao terreno

Água servida

Retorna ao terreno depois do tratamento por etapas.

Wetland

Participa do paisagismo e da ambientação das edificações.

Evapotranspiração

Trata o efluente sem enterrar os elementos do sistema.

Restauração

Clareiras restauradas por nucleação

Em vez de plantar toda a área de uma só vez, a restauração parte de pequenos núcleos capazes de reativar os processos naturais da floresta.

Caminho atravessando a floresta em regeneração da Fazenda Santana
Floresta em regeneração na Fazenda Santana

Núcleos são implantados em áreas degradadas e com solo exposto, com maior concentração nos níveis topográficos mais altos. As espécies melíferas que ainda não existem na fazenda enriquecem a flora e ampliam a base da apicultura do Núcleo Semear.

3–9 m

diâmetro de cada núcleo

14

mudas de árvores por núcleo

1,1–2 m

entre as mudas

≈ 20 m

entre os núcleos

Mais econômica do que o plantio em área total e mais ativa do que a restauração passiva, a nucleação interrompe mecanismos de degradação, cria abrigo para a fauna e estimula o reflorestamento no longo prazo.

Núcleo Semear

Uma operação construída em ciclos

O programa agrícola e ambiental do Núcleo Norte reúne produção, beneficiamento e regeneração em um mesmo terreno.

Paisagem do Núcleo Semear com suas áreas produtivas
Núcleo Semear — produção e paisagem no mesmo terreno
  • Sistemas Agroflorestais
  • Meliponários
  • Pátio de compostagem
  • Galinheiro
  • Secagem de carnaúba
  • Beneficiamento e alojamento
  • Viveiro de mudas
  • Paisagismo produtivo

O ciclo

01

Resíduo orgânico

chega dos lotes e das infraestruturas

02

Compostagem

transforma o resíduo em adubo

03

Viveiro e SAFs

recebem o composto e produzem mudas e alimentos

04

Meliponários

polinizam a paisagem produtiva

Interior de viveiro coberto por sombrite com mudas em produção
Viveiro de mudas nativas
Caixas de abelhas sem ferrão em área arborizada
Meliponários integrados aos SAFs

Viveiro

Mudas nativas para enriquecer a paisagem

Mais de 150 espécies nativas de uso paisagístico ou alimentício já foram mapeadas. Considerando a limitação de água na seca, a produção anual proposta é concentrada e compatível com o lugar.

160 m²

estrutura coberta por sombrite 50%

200

mudas de 20 espécies por ano

200 L/dia

de água de reuso

200 L/dia

de água de poço ou açude

A contribuição voluntária dos proprietários com resíduos orgânicos ajuda a adubar o viveiro; em retorno, as mudas podem abastecer os lotes e as áreas verdes da fazenda.

Resíduos e compostagem

Do descarte ao adubo

A separação começa no local de geração. Cada fração segue uma rota própria, e a matéria orgânica permanece no ciclo produtivo da fazenda.

Recicláveis

separados na origem e encaminhados à coleta organizada

Rejeitos

mantidos separados para a destinação adequada

Orgânicos

enviados ao pátio de compostagem do Núcleo Semear

20 kg

de orgânicos por lote a cada semana

500 kg

por semana nas infraestruturas

3 t

capacidade semanal de processamento

350 m²

área prevista para o pátio

Operação do pátio

Uma pilha de 18 m³ é formada a cada duas semanas. O material é revolvido a cada 30 dias, por três vezes, manualmente ou com trator de concha frontal. Na umidificação inicial de cada leira, são aplicados aproximadamente 3 m³ de água.

O composto pronto retorna ao viveiro e às áreas verdes, transformando um passivo em fertilidade para o próprio terreno.

Manejo da carnaúba

A árvore da vida, manejada com critério

O objetivo é manter o ofício, melhorar as condições de trabalho e garantir a continuidade das palmeiras que sustentam a produção de cera e mel.

Trabalhadores durante a colheita das folhas de carnaúba
Colheita de carnaúba na região

Boas práticas

  • Corte seletivo apenas das folhas maduras
  • Preservação das folhas jovens e do olho da palmeira
  • Controle de boca-de-leão e unha-do-diabo
  • Bagana usada como cobertura morta e adubo, sem queimadas
  • Banheiros, água potável e descanso para os operadores

Hoje a colheita é coordenada por Reginaldo, funcionário da propriedade, com trabalhadores vindos principalmente do Ceará e da região serrana do Piauí. O diagnóstico aponta salários baixos, estrutura precária e práticas de corte que precisam ser revistas.

O manejo correto também sustenta a apicultura. As floradas da carnaúba, dos cajueiros e das espécies das restingas fazem do terreno um ambiente especialmente favorável à produção de mel.

Painéis solares instalados no solo
Usina solar de solo — acesso facilitado para limpeza e manutenção

Energia

Sistema híbrido solar

O sistema combina geração solar, rede e baterias de backup para cargas prioritárias: iluminação externa, geladeira, internet e tomadas. Para restaurante, spa, bangalôs e hospedaria, a solução proposta é uma usina de solo orientada para o norte e próxima ao padrão de entrada.

48 m²

restaurante e spa

80 m²

dez bangalôs

120 m²

hospedaria

Cabeamento aéreo. Mais flexível e simples de implantar, com maior impacto na avifauna e na paisagem.

Cabeamento subterrâneo. Menos vulnerável a danos, mas exige maior investimento e atenção às áreas de lençol freático alto.